Dia 1 – Huancayo – Acampamento perto de Cullhuas

  • Distância Percorrida 29km

Huancayo foi para nós como todas as grandes cidades têm sido. Lugares ideais para finalmente tomar uns bons banhos de água quente, dormir e comer. E sempre, ou quase sempre, saímos um pouco mais gordos se ficamos mais que 3 dias nas cidades. Ficamos 9 dias, portanto… Os primeiros 4 dias ficamos num hostel, que apesar de serem caros os hotéis nesta cidade, pagámos 56 soles, cerca de 15 euros. Os restantes 5 dias ficámos em casa de Michi, um Peruano que nos deu uma mão, deixando-nos ficar em sua casa / restaurante, e assim partilhámos alguns momentos juntos. Huancayo fica como o lugar ideal para arranjar bicicletas e comprar novas peças. Ideal também para comer comida internacional e sair um pouco do regime “arroz com galinha”.

De Huancayo saímos à pressa e meio com a sensação de que se ficássemos mais um dia não era má idéia, mas como conhecemos um casal alemão também a viajar em bicicleta, decidimos antecipar a saída e ir com eles na nossa aventura até Ayacucho. A saída de Huancayo foi banal. Depois das incríveis montanhas do Peru Divide, ficámos, eu e a Anisa, com a sensação de que a estrada principal, para além de ter muitos carros, é uma seca… Como saímos já tarde – 12h – o dia acabou por render pouco. Almoçámos umas sandes de pêra abacate, na ultima povoação de Huancayo e depois de aproximadamente 28km feitos, fomos apanhados pela chuva e já não avançamos mais. Ficámos acampados num anfiteatro de Cullhuas a 50 metros da estrada principal. Aí jantamos e descansamos.

Dia 2 – Acampamento perto de Cullhuas – Acampamento perto de Quichuas

  • Distância Percorrida 75km
  • Distância Total 104km

A manhã começou com um pequeno almoço em conjunto, ainda que cada um de nós preparou a sua própria avena com frutos secos. Entre as 11 da noite e as 5 da manhã não escutamos nada de pessoas ou carros e dormimos tranquilos. A partir das 5, os carros e camionetas começaram a passar com mais frequência e já não deu para dormir tão profundo. Às 8 da manhã arrancámos com a nossa viagem de bicicleta. O dia estava cinzento mas à medida que fomos fazendo quilómetros, o sol foi aparecendo. Não deu para tirar grandes fotos pois as paisagens perderam uma grande parte de interesse. Durante a viagem até Izcuchaca, que teria sido o nosso destino do dia anterior, não fosse termos saído já passava das 12h e termos apanhado chuva, demos com dois momentos de maior interesse. Uma catarata e uma ponte à chegada da povoação de Izcuchaca.

Aí almoçamos e prosseguimos a aventura contornando o rio Mantaro. A estrada estava relativamente boa tirando alguns momentos em que não havia alcatrão e os carros, que passavam por nós, levantavam imenso pó. Esse foi lado menos bom da viagem do dia de hoje.

Perto das 4 da tarde começou a chuviscar e como não temos roupa para chuva, sempre nos amedrontamos e queremos parar, talvez não seja o melhor para os nossos amigos que têm apensa 4 meses para viajar de Lima a Santiago do Chile. Vimos uma espécie de campo de futebol com um relvado muito simpático e acabamos por nos atirarmos para lá, até porque tinha agua corrente. É tudo o que precisamos. Relvado e água. Aí terminamos a viagem e descansamos.

Aí almoçamos e prosseguimos a aventura contornando o rio Mantaro. A estrada estava relativamente boa tirando alguns momentos em que não havia alcatrão e os carros, que passavam por nós, levantavam imenso pó. Esse foi o lado menos bom da viagem. Perto das 4 da tarde começou a chuviscar e como não temos roupa para chuva, sempre nos amedrontamos e queremos parar, talvez não seja o melhor para os nossos amigos que têm apenas 4 meses para viajar de Lima a Santiago do Chile.

Enquanto a chuva nos molhava levemente, vimos uma espécie de campo de futebol com um relvado excelente para acampar e agua corrente. Era tudo o que precisávamos. Decidimos terminar a viagem perto das 4 da tarde e descansar

Day 3 – Acampamento perto de Quichuas – Acampamento perto de La Esmeralda

  • Distância Percorrida 58km
  • Distância Total 162km

Durante a noite estivemos super tranquilos, mas a partir das 5 da manhã começaram os carros a passar, desta vez com menos frequência que na noite anterior. Porém uma coisa é certa, acordámos num dos melhores lugares que até hoje já ficámos. O som da água que caía bem próximo, embalou-nos durante a noite e a relva, acolchoou o corpo. Tomámos o pequeno almoço na companhia de Maria e Sasha, os nossos amigos ciclistas que conhecemos em Huancayo e, apesar de termos acordado às 6:30, partimos às 9h, pois ficámos à conversa uma hora enquanto comíamos.

Céu limpo deu sinal que vinha lá um dia de verão quente. Creme, lenço no pescoço para proteger do pó que os carros levantavam e lá vamos nós em rumo de mais um destino incerto. Continuámos a bordejar o rio Mantaro e as paisagens tornaram-se cada vez mais interessantes. A meio da viagem e com poucas paragens, encontramo-nos com um grupo de motoqueiros, que estavam em tour em pequenas motos chamadas “monkey run”. Na berma da estrada e em pouco tempo, partilhamos as nossas aventuras com os Americanos viajantes. Despedimo-nos e decidimos almoçar qualquer coisa antes de nos metermos em marcha outra vez. Comemos e seguimos 5 metros até a Anisa perceber que tinha um pneu em baixo. Um pequeno furo na camera de ar fez-nos perder mais uns minutos até descobrirmos onde estava o dito cujo.

A viagem continuou sem grandes problemas. Muitas descidas com algumas pequenas subidas, tirando a excepção para uma subida um tanto puxada, dado o calor que tivemos e não haver uma única sombra durante 10 quilômetros. Já no cimo, tivemos o bom tempo para desfrutar da vista por todo o vale. Ao longo da estrada encontramos várias quedas de água, que nos permitiu refrescar. Apesar de haver algum transito e o alcatrão não estar sempre nas melhores condições, é definitivamente uma rota recomendável para ciclistas.

Quando chegamos a “La Esmeralda” começou a chover. Desta vez foi às 4 da tarde em ponto. Na povoação, abastecemos-nos de comida e uma garrafa de vinho doce – única que havia – e decidimos acampar a 6 quilómetros depois, junto ao rio, onde só se escutavam os grilos e a água a passar e… alguns mosquitos. Cozinhamos um “Atum à bolonhesa”, salada de tomate com queijo fresco e a tal garrafa de vinho para acompanhar. Acabamos por jantar na nossa tenta, tendo Sasha e Maria como companhia. Um Luxo para terminar mais um dia de aventura em bicicleta pelo Peru!

Dia 4 – Acampamento perto de La Esmeralda – Huanta

  • Distância Percorrida 58km
  • Distância Total 220km

O dia resume-se a uma única palavra “cansaço”. Foi ele que nos tramou no quarto dia desta jornada entre Huancayo e Ayacucho. Às cinco da manhã começámos a escutar os primeiros carros que passavam na estrada a uns metros acima do nosso acampamento. Levantámos-nos com o sol, mas ainda assim não conseguimos sair antes que os mosquitos começassem a maltratar-nos. Um pouco antes das 9h partimos, mas no fim da primeira subida o grupo não resistiu. Maria e Sasha, os alemães com quem viajávamos, sentiram a necessidade de seguir o ritmo deles. Despedimo-nos com a ideia de nos vermos em Ayacucho no dia seguinte. De onde estávamos até Ayacucho seriam 98km e nós não estamos habituados a fazer tamanhas viagens. De tal forma que com os 220 quilômetros que já tínhamos acumulados, a Anisa já estava a fraquejar. Tentei não fazer caso e apenas seguir caminho, inspirando-me pelas cores do rio que estava sempre como pano de fundo. Mas a verdade é que, apesar de ter mais força física, todo o calor e a subida foram-me derrotando aos poucos.

Por volta do meio-dia chegámos a uma povoação chamada Mayocc. Aí almoçámos um prato de arroz com 3 ovos fritos. Abastecidos e bem comidos seguimos para a longa subida até Huanta. Mal começamos a pedalar, a Anisa tem outro pneu em baixo. Assim que vimos o pneu a esvaziar tão depressa, pensamos que tinham sido os picos, dos inúmeros cactos que nesta zona árida e quente, existem, pois estávamos parados na berma da estrada. Mas não, a mesma câmara de ar, que no dia anterior vazou por um pequeno furo entre a jante e câmara, hoje tinha outro furo noutra parte de dentro junto à jante. Decidimos deixar o remendo para depois e colocar uma câmara nova pois o calor era tanto e não havia uma sombra para nos recolhermos. Nesse momento disse para mim “prefiro estar rodeado de alpacas do que cactos!” A verdade é que os extremos podem ser vertiginosos para a resistencia de uma pessoa. Desde que saímos de Huancayo, baixámos para os 2650m de altitude e claro, do frio chegamos ao calor! O corpo não aguentou o cansaço e o calor, e quando chegámos a Huanta, decidimos procurar uma hospedagem económica, tomar um banho e descansar de… tudo!

Dia 5 – Huanta – Ayacucho

  • Distância Percorrida 47km
  • Distância Total 267km

Despertamos com poucas palavras. O corpo parecia que não queria reagir devido ao cansaço. Pagámos 30 soles – 8 euros – pelo quarto na hospedagem e quando o preço é baixo há sempre o risco de termos “vizinhos” ruidosos que fazem de tudo para não descansarmos em condições. A primeira coisa que fazem é ligarem a televisão e colocarem o som alto. Depois têm conversas em tom alto, batem as portas como se fosse um quintal, arrastam mesas e cadeiras em chão de azulejos que até os pelos das pernas levantam e por último, o clássico, a prática do sexo exageradamente descritivo ao nível auditivo. Não há tampões nos ouvidos que resistam a tanto barulho e, no dia seguinte temos aquela cara de quem lhe falta várias horas de bom descanso.

Comemos para pequeno-almoço um “arroz à lá Cubana”, que é um prato com, obviamente arroz, ovos fritos e plátanos fritos. Na nossa opinião, é o melhor para começar o dia. A acompanhar, bebemos um batido de banana com leite. Armamos as bicicletas com tudo, mas o maldito corpo parecia que estava contrariado. Tínhamos pela frente menos de 50km até Ayacucho, mas ainda assim, o calor do dia anterior tinha-nos secado as energias. 

De Huanta até Ayacucho, durante a maior parte de toda a viagem, a estrada está em excelente estado com um único problema para nós, as bermas não têm escapatória. Ou seja, temos que viajar sempre dentro do espaço de uma única via de carros. Apesar de não haver muito trânsito até aos 15km de distancia para Ayacucho, torna-se desconfortável para quem viaja de bicicleta. Nada que as estradas da Colombia ou do Ecuador, não nos tenha já ensinado. As paisagens não surpreenderam e foi um alivio quando finalmente chegamos ao nosso quarto de mais uma hospedagem a 30 soles. Vamos ver se desta vez teremos melhor sorte com os nossos “vizinhos”!!

A nossa rota – GPX