Dia 1

Ayacucho – Acampamento perto de Chupas

  • Distância Percorrida 25km

Day 1

Ayacucho – Camping near Chupas

  • Distance Traveled 25km

Tínhamos falado com os nossos amigos, Sasha e Maria e eles tinham decidido sair às 6 da manhã e tentar fazer a passagem da montanha nesse mesmo dia. Seria uma subida no total de mais de 1600m de altitude. O que em estrada de alcatrão até era possível, mas nós ficamos com a ideia que seria muito para um dia. Planeamos sair às 8 da manhã, mas acabámos por sair às 9. Coloquei no GPS uma rota que outro ciclista que também andou a viajar pelos mesmo caminhos que nós. Deu azar pois mandou-nos por umas ruas bem íngremes, quando a estrada principal teria sido uma melhor opção.

Nos primeiros quilómetros, o cenário à nossa volta eram pálido de cor e tinha uma inclinação um tanto puxada, logo a começar. Metemo-nos por becos e ruelas, que se fosse há um ano atras, bem nos tínhamos sentido assustados. Hoje, já mais dentro da cultura Sul Americana, a única coisa que nos tirava o fôlego era subida.

Depois desta travessia no deserto, onde até um policia nos indicou o caminho na sua moto, lá demos com a estrada principal e daí já não havia mais que enganar. A estrada estava em excelente qualidade e nada de muitos carros. A inclinação manteve-se mas dava para manter um ritmo aceitável de progresso.

Por volta das 12h e depois de uns 800m de altitude já alcançados, parámos para almoçar. Menu: “Chicharon de Chancho” que em português seria carne de porco frita com milho, salada e batatas cozidas. Enquanto almoçávamos começou a chover e questionávamos-nos, onde estariam os nossos amigos, recebemos uma mensagem deles a dizer que Maria se tinha sentido mal e que acabaram por sair tarde. Estariam apenas a uns quilómetros atrás de nós. Mantivemos o contacto e depois de sairmos às 14:30 fizemos mais uma hora de viagem e decidimos parar num lugar aconselhado por ciclistas, através da aplicação “iOverlander”. O nosso plano, acabou por coincidir com o deles pois também vieram ter ao mesmo lugar para passar a noite. Aí montamos a tenta e fizemos campismo selvagem junto um canal onde corria água.

We had talked to our friends, Sasha and Maria and they had decided to leave at 6 in the morning and try to make the mountain pass on that day. It would be a climb in a total of more than 1600m of altitude. All that road up was possible, but we got the idea that it would be too much for one day. We plan to leave at 8 am, but we ended up leaving at 9 am. I put in the GPS a route, that another cyclist who has also been traveling the same way as we are. We were unlucky because it sent us to quite steep streets when the main road would have been a better option.

In the first few kilometers, the scenery around us was pale in color and had a somewhat tilted tilt as it began. We went through alleys and alleys, which if it had been a year ago, we had been scared. Today, already within the South American culture, the only thing that took our breath away was uphill.

After this “cross in the desert”, where even a police officer showed us the way on his motorcycle, we hit the main road and there was nothing to get wrong about. The road was in excellent quality and zero cars. The inclination was between 2% to 6% but it was an acceptable rate to keep cycling well.

Around 12 o’clock and after an altitude of 800m, we stopped for lunch. Menu: “Chicharon de Chancho” which is fried pork with corn, salad, and boiled potatoes. While we were having lunch it began to rain and we questioned ourselves, where our friends would be, we received a message from them saying that Maria had felt bad and they were late. They would be only a few miles behind us. We kept the contact and after leaving at 2:30 pm we made one more hour of travel and decided to stop in a place advised by cyclists, through the app “iOverlander“. Our plan eventually coincided with theirs because they also came to the same place to spend the night. Then we set up our tent and made wild camping along a channel where water flowed.

Dia 2

Acampamento perto de Chupas – Hostal Restaurant Campestre Luchin, Pajonal

  • Distância Percorrida 101 km
  • Distância total 126 km

Dia 1

Campsite near Chupas – Hostal Restaurant Campestre Luchin, Pajonal

  • Distance Traveled 101 km
  • Total distance 126 km


No dia anterior tínhamos feito perto de 900m de subida e hoje tínhamos no menu, mais uns 1000. Desde que o GPS se estragou que perdi a conta aos números, mas a pernas sentem-nos a cada quilômetro. Foram 101km em que 60 deles foram a subir e a última parte da subida, já não havia pernas…

Esta foi sem dúvida uma das melhores estradas que já fizemos, desde que saímos de Huaraz. O preço a pagar por andar em estradas de alcatrão é ter carros que passam por nós e dão sempre aquela apitadela, só para mostrar que nos querem cumprimentar. O problema é que nós não achamos piada nenhuma e ao fim de uns 30 carros, já não há paciência. Juro que adorava ter uma placa gigante que dissesse: “Não me apites, dá-me antes água!”

The previous day we had done close to 900m climb and today we had on the menu some 1000m. Since the GPS has been damaged I lost count to the numbers, but the legs, feel every mile. There were 101km in which 60 of them we went up and at the last part of the climb, there were no more legs …

This was undoubtedly one of the best roads we have ever done since leaving Huaraz. The price to pay for riding on paved roads is to have cars passing by and honking to us, just to show that they want to greet us. The problem is that we find no fun and after 30 cars, there is no more patience. I swear I would love having a giant sign saying “Do not horn give me water instead!”

A partir dos 3800m de altitude as paisagens perdem as árvores e definem-se os montes, com vegetação rente ao chão e muitos, muitos cactos. Quanto se atinge o topo da montanha, por volta dos 4200m, avistamos Alpacas novamente e fez-nos lembrar os dias da nossa épica viagem pela “grande divisão do Peru” – Peru Great Divide. Sorrimos. Depois é uma tremenda descida, com vento sempre contra nós, onde também durante a subida o apanhamos, até se chegar ao Rio Pampas.

Parámos num restaurante na estrada principal cerca da povoação chamada Ocros para reabastecer energias. Depois, doridos e cansados de mais dois dias de subidas, decidimos encontrar um Hostel para descansar. Mas, o dia não tinha ainda terminado sem eu ter tentado captar o nascer da lua e, quando me chego à berma da estrada, meto um espinho no pneu de trás e fura a câmara de ar. Estávamos a 3 km do destino que desalento. Não havia alternativa senão colocar um remendo e prosseguir caminho. Finalmente, já perto do hostel, os nossos amigos informam-nos que estão acampados certa do rio Pampas. Hesitamos em ir para lá, ou ficar no hostel por 20 soles: com banho, não ter todo o trabalho com a tenda e longe de mosquitos. Optamos pelo hostel e amanhã encontrarmo-nos na estrada e a sua longa subida!

From the 3800m altitude, the landscapes lose the trees and the mountains are more described with vegetation close to the ground and many, many cacti. As we reach the top of the mountain, around 4200m, we spotted Alpacas again and reminded us of the days of our epic journey through the “Peru Great Divide”. We smiled. Then, there was a tremendous descent, with a lot of headwinds, until arriving at Pampas River.

We stopped at a restaurant on the main road around the village called Ocros to restock energies. Then, sore and tired of two days of climbing, we decided to find a Hostel to rest. But the day had not yet ended without my attempting to catch the moonrise, and when I reached the side of the road, I threw a thorn in the back tire and pinched the inner tube. We were 3 miles from the destination. What a frustration. There was no alternative then patch it and keep on going. Finally, already close to the hostel, our friends informed us that they are camped right out of the Pampas river. We hesitate to go there, or stay at the hostel for 20 soles: with bath, not having all the work with the tent and away from mosquitoes. We chose the hostel and the next day we meet on the road and climb it together!

Dia 3

Hostal Restaurant 
Campestre Luchin, Pajonal – Abancay

  • Distância Percorrida 17 km
  • Distância total 143 km

Dia 3

Hostal Restaurant
Campestre Luchin, Pajonal – Abancay

  • Travelled distance 17 km
  • Total distance 143 km

Apesar do calor que havia quando chegamos ao hostel, a chuva e vento refrescou o chão quente e o nosso quarto. Demo-nos felizes por termos optado por gastar dinheiro num quarto e não estar debaixo de chuva numa tenda. Esperávamos uma noite tranquila de descanso. Há sempre essa esperança de se conseguir descansar bem na America Latina, pois há tanto ruído e imprevisíveis, que nunca é garantido que vamos estar como “em casa”. E a verdade é que amanhecemos mal dormidos. Cães a ladrar de hora a hora, camiões a passar e a apitar. Música dos carros alta… tal como disse, é sempre um filme estes sul americanos. Privacidade e respeito pelo proximo é algo que ainda falta muito até cá chegar.

Aproveitamos que estávamos hospedados num Hostel que também era restaurante para tomar o pequeno almoço. Mais uma vez arroz com ovos fritos. Por volta das 8h estávamos a sair e a ir ao encontro dos alemães que passaram a noite na sua tenda. Passámos o destino que nos tinham mandado no dia anterior, mas não demos com sinais deles. Prosseguimos e digo à Anisa que:

Só há duas formas de encarar os próximos dias. Uma, damos duro e fazemos o que pudermos um pouco todos os dias. Outra, apanhamos boleia de alguém que nos apareça no caminho.

Vamos de bicicleta e ver até onde conseguimos. – disse a Anisa.

Confesso que soube bem escutar que queria ir em bicicleta. O lado confiante dela deu-me ânimo e começámos a subir os 1700m de altitude.

Despite the heat that we had when we arrived at the hostel, the rain and wind cooled the hot floor and our room. We were happy that we had chosen to spend money in a room and not be under rain in a tent. We were waiting for a quiet night of rest. There is always this hope of being able to rest well in Latin America because there are so much noise and unpredictability, that it’s never guaranteed that we will be like “at home”. And the truth is that we are dawning badly asleep. Dogs barking from hour to hour, trucks passing and honking. Loud music … as I said, it’s always a movie these South Americans. Privacy and respect the next one is something that is still a long way from their culture.

We took advantage of the fact that we were staying at a Hostel that was also a restaurant and we had breakfast. Again, rice with fried eggs. Around 8 am we were leaving and going to meet our German friends, who spent the night in their tent. We passed the destination they had sent us the day before, but we couldn’t find them. We move on and I tell Anisa that:

There are only two ways to face the next few days. One, we push hard and every day we do what we can. Another, we get a ride from someone who shows up on the way.

Let’s bike and see how far we can get. – Anisa said.

I confess that was good to hear that she wanted to ride the bicycle. The confident side of it gave me courage and we began to climb the 1700m of altitude.

Às 9h o calor misturado com os mosquitos começavam a ser uma má combinação. Tinha vontade de me escapar a essa sensação de desconforto que me relembrava os dias em Piura e Chiclayo. Enquanto pedalávamos, vimos dois cães peruanos. Os cães peruanos não têm qualquer pêlo e em algumas excepções, têm apenas na cauda e no topo da cabeça. Estes cães ficaram mais conhecidos desde o filme de animação “Coco” onde o protagonista tinha um cão peruano, ainda que o filme é passado no México. Fiquei um pouco à conversa com o dono dos cães que vendia fruta. Nisto, uma carrinha pickup pára ao nosso lado, na berma da estrada. Três homens saem da carrinha e começam a comer e comprar frutas. Quando vamos a sair a Anisa sorri e faz-me sinal para a carrinha, como quem diz “pergunta-lhes se nos podem levar!”

Para onde vão? – pergunto eu.

Vamos para Andahuallas. – disse um deles.

Olho para a Anisa, como que perdido sem saber onde era.

Sim, sim. É depois da montanha. – disse a Anisa.

Boa, e podias-nos levar? – perguntei-lhes.

Sim, se queres, levamos-te!

Olhamos um para o outro e… siga! Desta vez até tínhamos lugar sentados dentro da carrinha e tudo, por isso estava perfeito.

A ideia é fazer apenas os quilómetros até ao topo da subida. – disse-lhes.

Nah, se queres levamos-te até Abancay. – Disseram.

Ou até Cuzco. Eu hoje vou para Cuzco. Esta zona não tem nada de interessante e é só subidas e descidas. Querem que vos leve?

Não estávamos mentalmente preparados para fazer tantos quilómetros de carro. Pedimos um tempo para digerir a ideia durante a viagem e perceber como a paisagem se ia transformando. Isto daria uma percepção da nossa realidade e da oportunidade que nos estavam a dar. A verdade é que no Peru e na America Latina, na generalidade, é fácil conseguir boleia, especialmente nas estradas principais. Já perto de chegarmos ao cimo, demos com os nossos amigos alemães. Vinham todos transpirados e arfar que nem lobos. Pelos nossos cálculos e dado o que já tinham feito, deveriam ter-se levantado super cedo e começado a pedalar por volta das 5 da manhã. Pela janela apenas os cumprimentamos e dissemos depois encontramos-nos mais à frente. Nem nós sabíamos onde íamos parar!

Após varias curvas e contra curvas e depois de passarmos o topo, a Anisa não aguenta, pede para parar e vomita fora do carro. O caso não era para menos, os tipos andam sempre a acelerar. Por fim, decidimos ficar em Abancay. Aqui iremos descansar 4 dias para planear a nossa ida a Cusco e Machu Picchu, iremos receber novos produtos que compramos, para viajarmos mais confortáveis, que uns amigos vão trazer da Alemanha e tentar colocar aqui no site a nossa viagem pelo Peru Great Divide para partilhar convosco as nossas fotografias!

At 9 am the heat mixed with mosquitoes was beginning to be a bad combination. I wanted to escape that feeling of discomfort that reminded me of the days in Piura and Chiclayo. While we were pedaling, we saw two Peruvian dogs. The Peruvian dogs do not have any fur and in some exceptions they have only on the tail and at top of the head. These dogs have become better known since the animated movie “Coco” where the protagonist had a Peruvian dog, although the film was settled in Mexico. I chat with the owner of the dogs that was selling fruit. At that moment, a pickup truck stops at our side, on the side of the road. Three men get out of the van and start eating and buying fruits. When we leave, Anisa smiles and signals me to the van, as if she wanted to say “ask them if they can take us!”

Where are you going? – I asked.

We are going to Andahuallas. – Said one of them.

I look at Anisa, a bit lost without knowing where was that.

Yes Yes. It’s after the mountain. – Anisa said to me.
Good, and could you take us? – I asked them.
Yes, if you want, we’ll take you!

We look at each other and … let’s go! This time we even have a sit inside the van, so it was perfect.

The idea is to go only to the top of the climb. – I told them.
Nah, if you want we’ll take you to Abancay. – They said.
Or to Cuzco. I’m going to Cuzco today. This area has nothing to see and is only up and down. Do you want me to take you?

We asked for some time to digest the idea during the trip and to see how the landscape was. This would give us a sense of our reality and the opportunity they were giving us. The truth is that in Peru and Latin America in general, it is easy to get a ride, specially on main roads. Near to reach the top, we met our German friends. They were all sweating and pushing hard their bicycles. By our calculations and given what they had already done, they should have got up super early and started pedaling around 5 in the morning. Through the window, we only greet them and said that later we find each other because we didn’t know where we would stop!

After several turns and curves and after passing the top, the Anisa couldn’t stand it. She asks to stop and vomits out of the car. The case was not for the less, the way they were driving the van was like going on a rollercoaster. Finally, we decided to stay in Abancay. We will rest 4 days to plan our trip to Cusco and Machu Picchu, and we will receive new products that we bought to travel more comfortable, that some friends will bring from Germany. Lastly, I will try to put here on the website our travel in the Peru Great Divide and share our experience and photos!

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Our route – GPX