Já lá vai o tempo em que sair do país com a mochila nas costas à procura do desconhecido era uma completa e inesperada aventura. Hoje em dia existe bastante informação para se preparar uma viajem destas porque muitos dos aventureiros têm vindo a partilhar as suas viagens em livros e blogs com fotografias de fazer inveja. Não sendo uma novidade e havendo tanta informação que circula de testemunhos, fotos e vídeos, então o que é motiva cada vez mais as pessoas a fazê-lo?

A meu ver, porque cada pessoa sente sempre de modo diferente os sítios por onde passa, as pessoas que conhecem e os momentos em viagem de país para país. Uma viagem destas não se baseia apenas em chegar aos sítios que vêem nos livros, carimbar o passaporte e marcar com uma cruz, como quem diz “está visto”. É toda um jornada e um contacto humano que nos marca enquanto viajantes. Os pretextos podem ser vários para justificar a vontade de dar a volta ao mundo. Há quem já o tenha feito de bicicleta, de barco, a pé, de mota, de carro, com uma missão e itinerário especifico… tudo serve menos ficar cá!

Não é preciso muito para se perceber que aos poucos os jovens portugueses começam a investir neste tipo de “loucuras-sadáveis”, como muitos lhe chamam. Na verdade, muitos deles depois de estabilizarem a sua vida é que o decidem fazer. Talvez por estarem cansados das rotinas diárias ou também, tal como eu, gostarem de viajar e conhecer pessoas com histórias de vida diferentes capazes de nos transformarem com o tempo.

Ontem encontrei-me com um grande amigo dos tempos da faculdade. Hoje em dia já não nos damos com a mesma frequência, porque os caminhos que seguimos são outros. No entanto a genuína amizade que temos um pelo o outro faz esquecer isso tudo. Falámos de mil coisas, o que é típico de quem só se vê de meses a meses. Escusado será dizer também que o projecto World Skectching Tour, foi tema de conversa. Depois de largos minutos a ouvir-me, como se ele fosse um psicólogo que escuta atentamente o seu doente a falar do planeamento da viagem já sem cura possível, contou-me um pequeno episódio de um amigo que frequentemente viaja para Marrocos. Então que o amigo, antes de se ir embora, faz umas pequenas esculturas em placas de madeira com o nome “Cristiano Ronaldo”, estampa t-shirts com a cara do mesmo e leva aquilo tudo para lá. Depois é só ter jeito para regatear e trocar as placas e t-shirts por aquilo que se quiser. Ao que parece o prodígio jogador da bola CR7, vale como uma boa moeda de troca para os marroquinos. Tudo isto demonstra aquilo que tenho vindo a dizer. Para mim chegar a Marrocos, fazer o Sahara e voltar para casa saber-me-ia a pouco. São estas vivências que valem bem mais que percorrer os destinos turísticos.


Luís Simões

Portuguese traveler and illustrator on a world sketching tour since 2012. Leaving comfort to enjoy a new life with the company of backpacks and sketchbooks, made me build this website and share it with all of you.

All author posts
Support the project

Help us to continue to share our experiences

We believe that sharing our experience is a good way to inspire and bring awareness to a meaningful life. While traveling we like to document and share our sketches, digital books, and short movies with everyone. We want to continue sharing it so we thought of creating some ways for you to grant us essential support.

Related Posts

Privacy Preference Center