Mongolia

Written by Luis on . Posted in Sketches, WST

Um mês na Mongolia passa num instante. A ampla natureza deste país é algo magnetizante e que definitivamente fez-me perceber que também fui concebido para viver no meio selvagem. Viver o profundo nomadismo foi, sem dúvida alguma, uma realização simplificada do meu ser. Cravei os pés na terra e deixei-os texturar-se, conforme caminhei pelo campo, montanhas e deserto. A agua com que lavei a cara foi a mesma que me matou a sede e gelou o corpo. Vi a chuva em fúria aproximar-se, os relampagos a rasgar o horizonte em metade e, deitado, contei os segundos até o trovão estremecer-me o peito. Sabia bem sentir a natureza e ter a nocão da sua força. Acordei numa poça de agua após tres horas debaixo de trovoada, numa tenda improvisada. Desfiz em palha, estrume de cavalo num pequeno monte, descasquei pedaços de arvore seca e soprei até as primeiras labaredas quebrarem as tonalidades frias. O fogo fez-me perceber como se encontra de novo o conforto.

Manter-me quente, estar protegido, encontrar comida, viver entre cavalos, falcões, camelos, cabras, ovelhas, yaks, ratos, aranhas, escaravelhos, lagartos, gafanhotos, moscas, mosquitos e tantos outros animais cujo nome não sei, é uma das melhores sensações de liberdade que já vivi. Sentir o bater das patas do cavalo no solo em simultaneo com o meu coração. “Txuu… txuu!” grito eu, para fazermos este manto verde a correr. O vento bate-nos mais forte à medida que a velocidade aumenta. Não me posso sentir mais livre… Estar descalso e ver os bixos escalarem o meu corpo à procura de calor ou da agua do meu suor. Ficar horas a ver o por do sol enquanto a areia do deserto se entranha na minha roupa e pele. Observar o correr da agua que espelha a vida livre de um nomada que me diz repetidamente: “Não se fazem planos porque não se sabe o futuro.”

Deixo-vos o meu manual para se ser feliz na Mongolia:
- não dizer mal das estradas, porque só ficamos mais chateados,
- não perguntar quais são os planos, porque ninguém sabe o futuro!
- saber jogar voley, porque ajuda a fazer amigos mongóis
- não comprar cervejas nas quartas-feiras, pois nesse dia, na maior parte da Mongólia, é proibido beber bebidas alcoolicas,
- não fazer necessidades junto às estradas, porque é uma ofença para os Nomads locais,
- gostar muito de carne de carneiro, pois vamos comer tanta…
- saber fazer uma fogueira e não ser maricas com a àgua fria
- não ter medo de animais …de todo o tipo!
- nunca esquecer de carregar as baterias da máquina fotografica
- ser generoso e verdadeiro
- ser aventureiro e livre
- esquecer o conforto e a privacidade

A Mongólia é, para já, o país que mais me fez ver a minha “zona de conforto” e tornar a vida mais simples. Essa descoberta vai agora comigo para a China, mais descontraído e com a confirmação que não preciso ter planos… o futuro ninguém sabe!

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Vejam mais as fotos da viagem e desenhos aqui.

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Luis

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Comments (4)

  • ANTÓNIO H.D. VINHA

    |

    TENHO ACOMPANHADO DENTRO DO POSSÍVEL A TUA VIAGEM
    E OS TEUS MARAVILHOSOS DESENHOS;TAMBÉM EU GOSTA-
    RIA DE FAZER UMA VIAGEM DESTAS,POIS O FASCÍNIO PELO
    DESCONHECIDO E PAÍSES DE CULTURAS E RELIGIÕES DIFE-
    RENTES ANDA NO MEU PENSAMENTO INDÍA ISRAEL JORDÂNIA MARROCOS MONGÓLIA NEPAL PERU ETC ……
    PARA QUANDO UM LIVRO EDITADO SOB ESTAS VIAGENS?!
    DIZ ALGO.

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  • Ana Barbosa

    |

    Adorei este “post”. Viajei um bocadinho e fiquei com a sensação de liberdade (mesmo sem sair de casa). Obrigada!

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  • Clara Amorim

    |

    Luís,
    Obrigada por partilhares mais este “mimo”… !!! O teu talento continua imparável!!!
    Este será, sem dúvida, o melhor projecto de vida já alguma vez realizado!
    Beijinhos.
    Clara

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  • Teresa Nascimento

    |

    Olá Luís.
    Só hoje conheci o teu blog, e projecto, através de um post do Filipe Morato. Não faço ideia onde estejas neste momento, mas decerto já tens aventuras e conhecimentos para alimentar várias vidas!
    Adorei a tua reflexão sobre a Mongólia, pois visitei este fascinante país em Agosto/2012 (com a Nomad) e foi uma das “viagens da minha vida”. Entre a imensidão da estepe e o fascínio do Gobi, senti-me tão especial por estar ali, a viver aquele momento, mas tão pequenina perante o poder e a beleza da Natureza em meu redor! O aprender a lavar-nos com uma caneca de água fria (a água canalizada foi o que mais me fez falta), o acordar com os camelos/Yaks a roçar no nosso ger, as noites passadas à volta da pequena mesa comunitária, sentados nas camas ao redor, com uma garrafa de vodka e um baralho de cartas, e muita (boa) conversa à mistura, o canto gutural… enfim, Gengis Khan deixou mesmo uma boa herança… Espero continuar a seguir a tua viagem, onde quer que te encontres.

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