France

Written by Luis on . Posted in Europe Trip, Sketches, Trips, WST

I was already a grown-up, but I still got annoyed with the old rhymes: “Luís, Luís has broken his nose”, or the more frequent one “Luís, Luís has been to Paris” – that one would be mighty annoying, as it got me so indignated.

First, because I never found it funny, and then because it was not true. I’d say “…never been to Paris man!”
Aside from all that, there’s the fact that France is one of the most visited countries in the world. My wish to see that country has always been a mix of a wish to solve my childhood trauma with a wish to let myself fall in love with that “trés chique” lifestyle movies got me dreaming about.

Já crescidinho, coçava-me todo, quando vinham com aquelas cantilenas: “O Luís, o Luís partiu o nariz…” ou a mais recorrente “O Luís, o Luís já foi a Paris”. Essa sim, coçava-me até ficar em ferida. Indignava-me a valer. Primeiro, porque nunca achei piada à rima e segundo, porque não era verdade: “…eu nunca fui a Paris, pá!” Por isso e por ser um dos países mais visitados do mundo, o meu desejo em conhecer França, foi sempre um misto de resolver o trauma de infância e deixar-me apaixonar pelo estilo de vida “très chique”, que os filmes me faziam sonhar.

Either you speak French, or you get fooled

The first barrier was the language. Speaking Portuguese might help, but it doesn’t mean one will automatically be able to speak French.
My suspicion that the French really don’t care for the English language was confirmed as soon as I tried to start talking with the locals. The first test happened in La Rochelle, in the South of France.
While I was drawing a 40-something lady approached me with some very friendly talk in French.
I’d been in France for a few days and I still hadn’t learned anything beyond the typical tourist words. In any case, we did manage to understand each other.
It’s like a translator shows up to tell them my story every time I open my sketchbook.
With my brain moved in space, but living in the moment, I tend to find similarities with Portugal in most traditions and lifestyles I encounter. Portugal and France are closer than the language barrier would have one think.
Hence, my quest to know why the French won’t speak English became a mission.
I met a young French guy called Matthieu in Dijon. He spoke fluent English, so I couldn’t miss the chance to ask him what he thought of that linguistic conundrum.
“I’m a through and through French guy, but I have to admit the French are lazy to learn languages and I don’t believe that will be changing much anytime soon.”
That still wasn’t enough. I wanted to know where such a lack of will to communicate came from.
“If we analyze it, the tourists who come here already seem terrified by the thought of having to speak French, so they end up making our life easier, and we don’t make an effort to learn other languages.”
This may well be. Every year France welcomes millions of tourists who come to consume the European art and charm, taking French language away from the equation would mean we’d be taking away part of the country’s identity.
As it is, my skepticism led to even more questions.
Talking to Alexandra, a Venezuelan of French origin, who’s lived in Paris for years, I asked about the reasons for the Parisian arrogance.
“Most people who live in Paris aren’t French, and they know tourism is a fact of life in this city. They just allow themselves to look over their own shoulders. Many people are tired of the consumerism frenzy.”

I myself was a victim of that bad temper and disrespect.

“All you have to do is yell over whoever is being arrogant with you, then they’ll see you’re not just playing around and they’ll treat you well. Paris is a city where nobody will take interest in anyone else unless there’s money involved.”

Is that the real reason for the poor sense of hospitality? To be fair, although Paris is a real human laundry, trying to talk and get help from those living in the streets is the best way to get a different picture, learn some French and get rid of the poison injected by the grumpy faces.

After many weeks traveling through Napoleonic lands, a realization hit me: “I can already communicate in French!”
The second part of a personal dream was finally coming true. To learn in the necessity of traveling. Can there be any satisfaction greater than the one of getting richer without apparent effort?
Now that I’ve crossed the smile barrier, not knowing French, I can say that listening to this language that seems like it’s right out of my great grandparents’ china set is like having the Louvre right before me. Especially when it’s spoken by a vintage looking female face.

Translation by Helena Palha

 

Ou falas francês ou ficas apanhar bonés.

A minha primeira barreira foi o idioma. Saber português já é uma ajuda mas não chega para se falar. Especialmente porque a minha suspeita de que os franceses não ligam nenhuma ao inglês, tornou-se uma realidade assim que meti, ou melhor, tentei as primeiras conversas com os locais. Em La Rochelle, sul de França foi o primeiro teste. Enquanto desenhava, uma senhora na casa dos 40 anos abordou-me, muito amavelmente, em francês. Digamos que estava há meia dúzia de dias em França e ainda não tinha aprendido nada para além das típicas palavras turísticas. Mas lá nos entendemos. Feliz de mim, que assim que abro o caderno é como se tivesse um tradutor por perto, que lhes vai contando a minha história. Porém, a cabeça deslocada no espaço mas a viver o momento, revela-me a semelhança com Portugal, na maioria dos costumes e estilos de vida. Portugal e França estão mais perto do que a simples barreira linguistica. Com isto, a minha busca em saber porque razão os franceses não falam inglês tornou-se como uma missão por esclarecer. Matthieu é um jovem francês que conheci em Dijon, que fala fluentemente inglês e claro, não perdi a chance de lhe perguntar o que pensava do enigma linguistico: “Eu sou francês de gema, mas tenho que admitir que os franceses são calões para aprender idiomas e não prevejo grandes evoluções para mudar o sentido.” Mas ainda não estava satisfeito, a que se deve tamanha falta de vontade em conseguir comunicar. “Se analisarmos bem, os turistas que aqui chegam, já aparecem aterrorizados com a ideia de que vão ser obrigados a falar francês, que acabam por facilitar a vida a quem cá vive e não nos esforçamos para aprender outros idiomas.” Verdade, acrescentando o facto de França receber milhões de turistas por ano, para consumir a arte e encanto europeu, que deixarmos de falar francês seria como roubar uma parte da sua identidade. Mas o meu cepticismo, ainda me fazia ter mais algumas questões. Em conversa com Alexandra, uma venezuelana de origens francesas e a viver em Paris faz anos, pergunto a que se deve a arrogância parisiense? “A maioria dos habitantes de Paris não são efectivamente franceses e grande parte deles sabe que não lhe faltará turismo. Dão-se ao luxo de olhar por cima do ombro. Muitas das pessoas que aqui vivem estão cansadas do exagero consumista.” Eu próprio fui vitima desse mau humor e desrespeito. “O que tens que fazer é gritar por cima e seres mais arrogante com quem te trata dessa forma. Depois disso, fica claro que não estás para brincadeiras e tratam-te bem. Paris é uma cidade que ninguém se interessa por ninguém a menos que tenhas dinheiro.” Será realmente essa a verdadeira razão da pouca hospitalidade. A bom da verdade, apesar de Paris ser uma autentica máquina de lavar humana, procurar ajuda e conversar com quem habita as ruas é a melhor solução para levar uma ideia diferente, aprender francês e tirar o veneno injectado pelos carrancudos.

Passadas várias semanas em viagem por terras napoleónicas, deparei-me com o fenómeno “já consigo comunicar em francês!”. A segunda etapa de um sonho pessoal estava finalmente acontecer. Aprender na necessidade da viagem. Existirá melhor satisfação de ficarmos mais ricos sem aparente esforço. Agora, que já passei a barreira do sorriso ignorante perante o francês, posso afirmar que escutar esta língua, que parece sair de um conjunto de porcelana de casa dos meus bisavós, vestida por um rosto feminino de estilo vintage, é como termos o Louvre à nossa frente.

 

france_paris_meeting_2

 

france_paris_10

 

france_marseille_basilique_outside

 

france_dijon_bus

 

france_clermont_ferrand_dinner

 

france_clermont_ferrand_cedric 1

 

france_toulouse

Tags:

Luis

If you want to keep in touch follow the Facebbok Fan Page or see more photos on Flickr.

Comments (2)

  • Clara Amorim

    |

    Luís,
    Gostei da “prelecção”!!! E que grande finale!!!
    E os Sketches??? Lindos, lindos, lindos!!! :) :) :)

    Reply

  • Teresa

    |

    Xenofobia (do grego ξένος, translit. xénos: “estrangeiro”; e φόβος, translit. phóbos: “medo.”) é o medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros,a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país.

    Quando estive em Paris, em 1992, e apesar de falar francês, senti algum desse desprezo pelos estrangeiros. Um dia entrei numa loja “La Bagagerie” , e como ia de jeans, bolsa Kipling à cintura, e impermeável HH, a empregada olhou-me com desprezo, e atendeu a japonesa que entrara depois de mim… Fiz as minhas compras, e antes de sair, olhei-a também de alto a baixo… será que ela percebeu ?

    Já na Gascogne onde passei mais tarde quinze dias, e apesar de serem pequenas vilas, não senti isso !

    Bon voyage :D

    Reply

Leave a comment